Marina Manda Lembranças O livro que recebi é de 2020, mas porque recebi o livro autografado pelo escritor e pela ilustradora, respec...
Marina Manda Lembranças
E porque o livro me foi entregue por interposta pessoa, ou seja, fez um caminho triangular. E foi editado ao completar 200 anos da Independência, desfila a história do nosso país em 200 verbetes de forma divertida, não posso deixar de comentar nessa crônica.
Margens plácidas
– D. Pedro proclamou a Independência, às margens plácidas do Ipiranga, conta o Hino Nacional. O autor da letra, Osório Duque Estrada, quis dizer quer as águas do riacho eram tranquilas, sossegadas e limpinhas (...) O descaso é tanto que se pode dizer que as margens plácidas estão mais para plásticas tal a quantidade de garrafas PET que boiam nas águas turvas e malcheirosas.
Quebrar o corpo
– Muito usada na época de D. Pedro, indicava que alguém se encontrava na posição típica de quem está com uma tremenda dor de barriga: com o abdômen dobrado em direção às coxas. Pouco antes de proclamar a Independência, o futuro imperador do Brasil estava, segundo testemunhas, “quebrando o corpo para atender a mais um chamado da natureza”. Ou seja, estava fazendo cocô.
Mula
– Tadinha da mula, é tipo o burro, quase um xingamento (...) Além disso, não é um bicho muito fotogênico. Tanto é que D. Pedro não ia ficar bem na foto – ou melhor, no quadro (de Pedro Américo) – se aparecesse montado num mula, como de fato estava. O futuro imperador ficou mais imponente no lombo de um cavalo.
Maria I. a louca
– A avó de D. Pedro I assumiu o trono de Portugal em 1777. (...) Tinha visões do pai ardendo como “um monte de carvão calcinado, negro e horrível sobre um pedestal de ferro fundido, que uma multidão de pavorosos fantasmas ameaçava derrubar”. (...) D. Maria foi declarada incurável, e afastada do trono 1792, e seu filho, D. João VI, declarado príncipe regente.
Tuberculose
– (...) A tuberculose consumiu D. Pedro I; quando ele morreu, em 24 de setembro de 1834 a autópsia revelou que “raro era o órgão indispensável à vida que não apresentava lesões. O coração e fígado hipertrofiados. O pulmão esquerdo denegrido, friável, sem aparência vesicular quase todo, apenas uma pequena porção da parte superior era permeável ao ar. O rins, onde fora encontrado um cálculo, inconsistente, esbranquiçados. O baço amolecido, a desfazer-se todo”. Pobre D. Pedro, tão acabado aos 36 anos.
Epilepsia
– Doença que causa convulsões e perda de consistência em intervalos irregulares. D. Pedro sofria dessa doença desde criança. Seus ataques epilépticos causavam susto e apreensão em todos que o cercavam. Em pouco tempo, o Brasil inteiro ficaria sabendo que o príncipe, depois imperador, padecia de enfermidade. Apesar da doença, D. Pedro nunca deixou de levar uma vida agitada e cheia de aventuras.
Eduardo e Paula deixaram o amor para o fim e até mandaram um cartão que retrata com a devida pureza (sem caricaturá-los) D. Pedro e Domitila.
– Ninguém duvida que a maior paixão de D. Pedro foi Domitila de Castro e Melo, a quem deu o título de Marquesa de Santos e com quem teve cinco filhos. Descrita por um contemporâneo como uma “sensual luso-brasileira de seios e quadris volumosos”, Domitila parece ter sido uma mulher notável. (...) Foi um romance tórrido. Recheado de sensualidade e de cartas apaixonadas que ela assinava “Sua Titila” e ele, “Seu Demonão”.
Paula colou, pintou, e fez ilustrações tão divertidas quanto os verbetes do Eduardo.
